Estudo aponta relação entre hábitos alimentares noturnos e saúde intestinal em indivíduos estressados
Um estudo apresentado na Digestive Disease Week 2026 explora uma questão relevante para a saúde intestinal: o impacto dos horários das refeições aliados ao estresse crônico. A pesquisa indica que consumir mais de 25% das calorias diárias após as 21h pode trazer consequências para a saúde, como constipação e diarreia.
A pesquisa, realizada com dados de grandes bancos populacionais norte-americanos, sugere que a combinação entre um padrão alimentar noturno e altos níveis de estresse está associada a um risco até 2,5 vezes maior de alterações intestinais. Embora os resultados mostrem essa associação, o estudo não garante que comer tarde seja a causa dos problemas.
Conforme informação divulgada pelo Digestive Disease Week 2026, a pesquisa também reforça o campo da crononutrição que estuda como o horário das refeições influencia a saúde, baseando-se na hipótese de que esses horários impactam os processos digestivos e o ritmo circadiano.
Impactos do Horário das Refeições na Microbiota Intestinal
Dentro desse contexto, a gastroenterologista Patrícia Almeida, do Einstein Hospital Israelita, explica que os processos metabólicos, digestivos e hormonais variam durante o dia. Assim, o mesmo alimento pode ter efeitos distintos dependendo do horário de consumo. Além disso, o estresse pode interferir na comunicação entre intestino e cérebro, agravando os problemas quando aliado a um jantar tardio.
A pesquisa observou que uma microbiota menos diversa foi um impacto relevante nos participantes estressados que tinham o hábito de comer tarde. Em geral, uma maior diversidade microbiana é associada a um equilíbrio intestinal mais saudável, capaz de proteger contra microrganismos nocivos.
Nem Todo Jantar Tardio é Prejudicial
É importante destacar que nem todas as refeições noturnas são prejudiciais. O conceito de alimentação tardia do estudo refere-se ao consumo de mais de 25% das calorias diárias após as 21h, não a um jantar ocasionalmente atrasado. Segundo Almeida, não se trata de proibições, mas sim de entender que alimentação noturna regular combinada com estresse crônico pode criar um cenário adverso para a saúde intestinal.
Portanto, embora a pesquisa não apresente recomendações rígidas, é essencial considerar a qualidade do sono, rotina de trabalho e atividades físicas ao avaliar o impacto dos horários das refeições.