Educação

Forquilhinha: Projeto Escola Restaurativa reúne mais de 300 estudantes na EEB Natálio Vassoler

Iniciativa do MPSC em Forquilhinha realizou encontros de diálogo para combater o bullying e incentivar a cultura de paz na EEB Natálio Vassoler. Confira os detalhes da ação.

Ver resumo
  • Projeto do MPSC e do NUPIA promove sensibilização, rodas de diálogo e formação para fortalecer a paz nas escolas, envolvendo alunos, professores…
  • As ações utilizaram o diálogo como ferramenta central, com encontros em círculos para ouvir, refletir e compartilhar experiências, buscando prevenir conflitos e…
  • As informações foram divulgadas pelas organizadoras da ação, conforme informação divulgada pelo portal Forquilhinha Notícias.

Projeto do MPSC e do NUPIA promove sensibilização, rodas de diálogo e formação para fortalecer a paz nas escolas, envolvendo alunos, professores e rede de proteção em Forquilhinha

Mais de 300 estudantes, professores, servidores e integrantes da rede de proteção participaram de atividades do Projeto Escola Restaurativa na EEB Natálio Vassoler, em Forquilhinha.

Continua depois da publicidade

As ações utilizaram o diálogo como ferramenta central, com encontros em círculos para ouvir, refletir e compartilhar experiências, buscando prevenir conflitos e promover a paz nas escolas.

As informações foram divulgadas pelas organizadoras da ação, conforme informação divulgada pelo portal Forquilhinha Notícias.

Rodas de diálogo, participação e rotina das atividades

As atividades ocorreram em círculos de construção de paz, com turmas do 6º e do 9º ano, e cada encontro teve até três horas de duração, com pelo menos um professor responsável presente.

Durante os círculos, alunos, professores e gestores sentaram-se em roda para falar, ouvir, refletir e compartilhar vivências, e um coração de pano passou de mão em mão para que cada participante pudesse se expressar.

O estudante Pedro Henrique Gomes Guimarães relatou a experiência, dizendo, “Eu gostei muito, a gente conseguiu falar o que guardamos no nosso coração, consegui falar com pessoas com quem eu não falava muito. Eu acho muito importante ter conversas sobre esses assuntos para incentivar as pessoas a não fazerem mais bullying, racismo, homofobia. Seria muito importante fazer isso ao menos uma vez por mês, os professores falarem sobre isso, estar reforçando esses assuntos nas escolas”.

Objetivos do projeto, base legal e atuação do NUPIA

O Projeto Escola Restaurativa é conduzido pelo Ministério Público de Santa Catarina, por meio do Núcleo Permanente de Incentivo à Autocomposição, o NUPIA, e busca promover a cultura de paz nas escolas catarinenses com base na Justiça Restaurativa.

A iniciativa está alinhada à Resolução n. 225/2016 do Conselho Nacional de Justiça, que institui a Justiça Restaurativa como política pública nacional, e se fundamenta no artigo 70-A do Estatuto da Criança e do Adolescente, propondo práticas centradas na escuta, no diálogo e na corresponsabilidade.

Na prática, o projeto segue três fases, sendo a primeira dedicada à sensibilização, a segunda à capacitação de novos facilitadores e a terceira à institucionalização por meio de leis municipais que incentivem práticas de construção de paz nas escolas.

Dados sobre bullying e a motivação para a ação

A execução do projeto em Forquilhinha foi solicitada pela Promotoria após informações apontarem elevado índice de evasão escolar relacionado à prática de bullying, segundo as organizadoras.

Conforme dados citados durante a ação, “quatro em cada dez estudantes brasileiros relatam sofrer bullying. Desse total, 30% afirmam sofrer a prática de forma recorrente, e 14% deixam de frequentar a escola em razão do bullying. O número de crianças e adolescentes que relatam sofrer bullying nas escolas aumentou 23% entre os levantamentos do IBGE de 2019 e 2026.”

A promotora de Justiça da Comarca de Forquilhinha, Rafaela Póvoas Cardozo Lehmann, avaliou a iniciativa e afirmou, “A partir disso nós entramos em contato com o NUPIA, que então trouxe até nós a Escola Restaurativa para nos auxiliar. Eu tive o prazer de participar de um desses círculos e realmente foi muito enriquecedor, a gente percebe que o projeto traz esse olhar para o outro, esse olhar empático de entender o que está acontecendo na vida do outro. Esse primeiro passo é só o início, a ideia é que agora saiam facilitadores aqui de Forquilhinha também para que esses círculos sejam replicados nas outras escolas para que a gente possa combater o bullying e consequentemente a evasão escolar”.

Impacto local e próximos passos

A diretora da escola, Mari Lúcia Willemann, destacou o acolhimento observado durante as atividades e a expectativa de resultados a médio prazo, dizendo, “Foi um dia super diferente na escola, a gente percebeu o acolhimento dos alunos por parte dos integrantes do projeto, acredito que nós vamos colher frutos muito bons, que vamos ter grandes avanços. Achei o projeto maravilhoso e torço para que seja replicado em todas as escolas porque hoje o bullying está em todos os colégios, seja com os pequenos, com os grandes, e precisamos estar sempre fazendo algo para enfrentar essa situação”.

A secretária adjunta de Educação de Forquilhinha, Mariléia Preis de Fáveri, também registrou a importância da reflexão promovida pela ação e reforçou a necessidade de ampliar o trabalho entre professores e estudantes, pontuando, “Foi um momento muito bom para mim enquanto pessoa, enquanto profissional, enquanto mãe. Na medida que íamos fazendo as reflexões e as atividades, eu ficava pensando como esse trabalho seria importante de ser feito com todos os nossos professores, todas as nossas crianças, para que possam se conhecer melhor”.

Os encontros foram conduzidos por facilitadores voluntários convidados pelo NUPIA e capacitados para garantir um ambiente seguro de fala e escuta, e a expectativa é que novos facilitadores formados em Forquilhinha ampliem a oferta de círculos em outras escolas, fortalecendo a paz nas escolas e medidas de prevenção ao bullying no município.

Mais sobre este assunto