O slime, uma massa elástica e gelatinosa, se tornou uma febre entre as crianças, mas a escolha dos ingredientes usados na sua confecção pode ser motivo de preocupação. Muitos tutoriais na internet incluem substâncias como borato de sódio e ácido bórico, que, conforme a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), agora estão na lista de substâncias proibidas. Essas alterações procuram alinhar as normas brasileiras com regulações internacionais devido aos potenciais riscos toxicológicos dessas substâncias.
A Anvisa recentemente atualizou a lista de substâncias vetadas em cosméticos e produtos de uso pessoal, alertando que o uso de borato de sódio e ácido bórico em slimes não é regulamentado. A farmacêutica Karina Soeiro explica que essas substâncias possuem evidências toxicológicas que podem impactar a saúde, especialmente em termos de reprodução e desenvolvimento.
De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria, a manipulação desses compostos por crianças é considerada perigosa devido à possibilidade de irritações e reações alérgicas. O risco é maior quando há contato frequente ou prolongado e em concentrações elevadas. Esse alerta torna-se ainda mais importante considerando que as crianças pequenas têm o hábito de levar as mãos à boca. Conforme informação divulgada pelo site G1, cuidados são necessários para evitar que essas substâncias causem danos à saúde das crianças.
Potenciais riscos da manipulação de slimes
Manipular slime pode parecer divertido, mas a absorção pela pele intacta de boratos ainda que limitada, precisa ser considerada. Estudos indicam que uma exposição ocasional e breve não equivale a intoxicações. No entanto, Quíssila Batista Neiva, pediatra do Hospital Israelita em Goiânia, destaca que o contato prolongado e a manipulação frequente são preocupantes.
Os efeitos de ingestão ou inalação de borato de sódio incluem náuseas, vômitos e alterações respiratórias, enquanto a exposição elevada pode causar até choque cardiovascular. Dados apontam também para riscos associados ao desenvolvimento e reprodução em estudos com animais, mas não há evidências diretas para o mesmo em crianças humanas, segundo Neiva.
Alternativas mais seguras e regulamentações
Muitas receitas de slime disponíveis alegam não conter borato de sódio, mas substituem-no por soluções para lentes de contato que ainda carregam ácido bórico. Segundo Soeiro, um estudo asiático revelou que 70,1% dos slimes comerciais ultrapassavam limites europeus para migração de boro.
Neire Silva, da Associação Brasileira das Indústrias de Brinquedos (Abrinq), menciona que normas estão sendo revisadas para estabelecer métodos e limites para estas substâncias em brinquedos. Escolher produtos industrializados e regulamentados é aconselhável para minimizar riscos, evitando receitas caseiras com dosagens imprevisíveis.
Medidas de precaução e primeiros socorros
Para uma brincadeira segura, a médica Quíssila Neiva sugere optar por slimes industrializados, evitando a manipulação de pó ou soluções concentradas por crianças. Em casos de irritação, lavar a pele e os olhos com água é primordial.
Em ocorrências graves, como ingestão e sintomas severos, a recomendação é buscar ajuda médica imediata e recorrer ao Centro de Informações Toxicológicas (CIT). É importante ter à mão as embalagens dos produtos utilizados na confecção do slime.
Mais sobre este assunto
Mulher é condenada em Sombrio por injúria racial após áudio gravado por filho ser apresentado como prova
Golpes de Falsos Advogados e Juizados Especiais Preocupam Tribunal de Justiça de Santa Catarina
Borracheiro de 27 anos sofre fraturas na mão após explosão de pneu em Nova Veneza e se recupera bem, recebe apoio de empregadores
Vídeo Institucional Promove o Turismo do Extremo-Sul Catarinense: Destaque para Natureza, Cultura e Gastronomia