A calcificação das artérias coronarianas é um dos grandes desafios da cardiologia, especialmente em pacientes com aterosclerose. Estima-se que este problema afete nove em cada dez portadores da doença, aumentando o risco de complicações como infartos, conforme dados apresentados por médicos do Hospital Israelita Albert Einstein.
Na busca por alternativas eficazes, uma nova técnica desenvolvida por brasileiros em parceria com a Universidade de Verona propõe tratar esse problema sem o uso de stents. Combinando litotripsia intravascular e balões farmacológicos, a abordagem mostra-se promissora e com poucas complicações.
Os dados foram apresentados durante o EuroPCR, um dos maiores congressos de cardiologia do mundo, onde o método mostrou ser capaz de tratar com sucesso as artérias de 88% dos pacientes. Segundo o cardiologista Guy Fernando de Almeida Prado Junior, do Hospital Israelita Albert Einstein, a técnica abre novas perspectivas para o tratamento da aterosclerose.
Como funciona a nova técnica
A abordagem inovadora utiliza um balão de angioplastia que emite ondas sonoras para quebrar a deposição de cálcio, aumentando a elasticidade da artéria. Posteriormente, um balão farmacológico é empregado para administrar medicamentos que diminuem a probabilidade de novas obstruções decorrentes do processo de cicatrização.
O cardiologista Pedro Lemos destaca que, apesar do termo “descalcificação” ser usado, o procedimento não remove o cálcio, mas sim reduz sua rigidez, permitindo que o sangue flua livremente ao quebrar a parede endurecida da artéria.
Resultados promissores
Em um estudo envolvendo 50 pacientes com artérias severamente calcificadas, a nova técnica demonstrou manter ou até aumentar o calibre das artérias. “Precisamos de novas pesquisas para saber como os pacientes estarão cinco, dez anos após o procedimento para avaliar como é seu resultado a longo prazo”, aponta Lemos.
Os dados preliminares são animadores, mas os especialistas enfatizam a necessidade de estudos com populações maiores e acompanhamento de longo prazo para confirmar a eficácia e segurança da técnica.
Avaliações futuras
Os próximos passos incluirão análises de custo-efetividade comparando a nova técnica com os stents tradicionais. Embora não seja uma substituição ao uso de stents, a nova opção pode ser particularmente benéfica para artérias de menor calibre, reduzindo riscos associados a implantes permanentes.
Com um acompanhamento inicial indicando baixa ocorrência de complicações, expectativas são altas para futuros resultados. A técnica representa um avanço significativo na cardiologia intervencionista, propondo uma alternativa que pode transformar o tratamento da aterosclerose.
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