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Muito antes da icônica camisa amarela se tornar um dos maiores símbolos do esporte mundial, a Seleção Brasileira entrava em campo vestida de branco e azul. Agora, uma peça preservada por mais de um século por um colecionador brasileiro voltou a chamar atenção na web, e revela detalhes do design usado pela equipe para disputar importantes campeonatos, como o primeiro título do país no futebol.

Vem entender!

Uniforme usado por Amílcar Barbuy

A primeira camisa vencedora

Considerada o mais antigo uniforme da Seleção Brasileira existente – com mais de 100 anos -, a camisa pertenceu ao meio-campista Amílcar Barbuy, que fez história ao jogar pelo Corinthians e pelo Palestra Itália, atual Palmeiras. O jogador também defendeu o país em duas edições do Campeonato Sul-Americano, que deu origem à Copa América.

Especula-se que a camisa foi usada nas campanhas de 1919 ou 1922, anos em que o Brasil conquistou o primeiro lugar no campeonato.

Seleção que conquistou o Campeonato Sul-Americano de 1919
Seleção em 1922; Amílcar é o último à direita
Seleção que conquistou o Campeonato Sul-Americano de 1919

Entre os elementos que mais chamam atenção no uniforme estão o decote com amarração por cordões, que proporciona maior ventilação aos jogadores, e o escudo da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) costurado manualmente sobre o tecido.

Detalhes da camisa

A peça atualmente integra a coleção de mais de 250 camisas do engenheiro eletrônico Valter Bento Silveira, que a adquiriu dos descendentes de Amílcar Barbuy. Além da camisa, a família ainda guarda um calção utilizado pelo jogador.

Uniforme completo
Escudo costurado à mão
Amarração
Detalhes do short
Detalhes do short

Como um trauma em Copa do Mundo levou o Brasil a adotar a Amarelinha

Em 16 de julho de 1950, cerca de 200 mil pessoas lotaram o recém-inaugurado Maracanã, convictas de que seriam testemunhas de um título da Copa do Mundo. A Seleção Brasileira entrava em campo contra o Uruguai na última rodada da fase final da competição com uma vantagem matemática: bastava um empate para ser campeã.

O Maracanã parecia o cenário perfeito para a consagração. O gol de Friaça no segundo tempo confirmou a impressão. Mas o Uruguai não cedeu e empatou. Quando Ghiggia converteu o segundo gol uruguaio, o silêncio tomou conta das arquibancadas.

Seleção brasileira em 1950.

O narrador Ary Barroso, que havia exaltado cada lance brasileiro, ficou mudo diante do placar: 2 a 1 para o Uruguai.

A derrota ficou para a história marcada como “Maracanazo”, um trauma coletivo que marcou gerações. Por isso, a camisa branca usada naquele dia foi aposentada: de 1954 em diante, o Brasil passou a jogar de amarelo.

Maracanã lotado assistiu à derrota do Brasil na final da Copa de 1950

A estreia da “amarelinha”

Foi então promovido um concurso pela Confederação Brasileira de Desportos (CBD), em parceria com o jornal carioca Correio da Manhã, para escolher nova camisa da Seleção, sob a premissa de que a antiga camisa não representava a nacionalidade brasileira.

Exposição Amarelinha do Museu do Futebol

O vencedor foi Aldyr Garcia Schlee, jornalista e desenhista, que tinha apenas 18 anos. A proposta de Aldyr era uma camisa amarelo-canário, gola e punhos verdes, combinada com calções azuis e meiões brancos e superou mais de 200 concorrentes.

A proposta foi ousada para a época, pois cores fortes não eram muito usadas pelo público masculino. Desde então, o amarelo da camisa já ganhou diferentes tonalidades e usos, mas não foi mais abandonado.

(Informações Metrópoles)

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